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Ontem na Casa de Angola

As notas de editor a precederem livros dos seus autores, não sendo a regra, não são também nenhuma novidade. E a minha nota tem uma justificação substantiva: é que eu, de 11 de Novembro de 1975 a 3 de Março de 1976, estive do outro lado. Vou dizer-vos onde é que eu dormi em quatro inesquecíveis noites da minha vida. Dormi no Lobito, no meu pequeníssimo apartamento de militância política, sem cozinha, a 10 de Novembro de 1975. A 11 de Novembro dormi no Sumbe, a antiga Novo Redondo, ao monte, num quarto de hotel que ocupámos no recuo das Fapla. A 12 de Novembro dormi numa velha pensão de Porto Amboim e a 13 de Novembro estava a dormir na casa de amigos em Luanda. Nessas quatro noites e quatro

Os nossos dias da independência

Boa tarde e muito obrigado por terem vindo à Casa de Angola, neste dia 11 de Novembro, dia em que Angola e os angolanos comemoram o 44º aniversário da sua independência. E muito obrigado por terem vindo a esta sessão de apresentação da reedição do livro Os Meus Dias da Independência, da autoria de Onofre dos Santos. O apreço e a admiração que todos temos por Onofre dos Santos tem uma razão de ser que as memórias registadas neste livro bem comprovam, memórias de um tempo em que o nosso agora kota Onofre era bem mais jovem, mas sempre afinando a sua vida pela razão e verdade e pela fidelidade a um ideal, o que bem merece a nossa presença e o nosso aplauso. Quero também, em nome da Guerra e Paz

A cada um a sua dipanda

Estivemos, nesses dias da dipanda, de lados opostos da barricada. Eu estive do lado da independência que Agostinho Neto proclamou em Luanda. O autor deste livro, Onofre dos Santos, esteve do lado da independência que Holden Roberto e Jonas Savimbi proclamaram, no Ambriz e no Huambo. E estivemos, Onofre e eu, quase ao alcance da mão. Os meus 22 anos, revolucionários, anarco-marxistas, tinham vindo a fugir do Lobito e refugiaram-se, nessa noite de 11 de Novembro de 1975, sob a asa das Faplas, o exército do MPLA que os cubanos, enfim visíveis, enquadravam. No Sumbe, dois passos a sul do Cuanza. No Ambriz, uns bons passos a norte do Cuanza, Onofre, 34 anos, chegou de avião, na madrugada tropical

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